Existem lugares na Amazônia onde a estrada simplesmente termina. Depois de Moju, seguimos para Cametá, no Pará. Foram horas de viagem por regiões remotas até precisarmos deixar o ônibus para trás e, durante a noite, atravessar um rio de quase 12 quilômetros de largura em um barco de passageiros. E aquilo era só a chegada.
Nos dias seguintes, voltamos aos barcos para levar alimentos e o Evangelho a comunidades ribeirinhas sem acesso por estrada. Em uma delas, os moradores nos disseram algo que nunca esqueceremos: nenhuma equipe de fora havia ido até ali antes para pregar o Evangelho. Não havia palco nem multidão. Havia famílias esperando do outro lado do rio. Eram poucas pessoas, em um lugar de difícil acesso, mas tinham o mesmo valor diante de Deus.
A dificuldade para chegar até Cametá, porém, não seria o único desafio daquela semana. Depois de meses de preparação para a Campanha Evangelística, surgiram pressões inesperadas na cidade, inclusive situações envolvendo a influência política sobre alguns líderes cristãos. Em meio a tudo isso, Deus começou trabalhando primeiro dentro da própria Igreja.
A semana começou com três dias da conferência Igreja em Ação, reunindo pastores, líderes e voluntários para serem preparados em evangelismo, oração por cura, libertação, batalha espiritual e vida no Espírito Santo. E, antes mesmo da campanha começar, os testemunhos já surgiam:
Um homem que chegou usando muletas devido a fortes dores voltou a caminhar normalmente, sem elas, após a oração
- Uma mulher que sofria desde a adolescência com dificuldades para respirar passou a respirar livremente
- Outra senhora testemunhou que um nódulo no seio havia desaparecido
A igreja de Cametá estava sendo preparada para a campanha, mas também para continuar alcançando a cidade após a partida de nossa equipe.
Depois de três dias preparando a igreja, começaram as noites da Campanha Evangelística. Já na primeira noite, muitos testemunhos começaram a surgir, incluindo pessoas que relataram o desaparecimento de nódulos e tumores. Mas uma história, em especial, marcou nossa equipe: Dinair era surda do ouvido esquerdo havia 42 anos e, depois de receber oração, testemunhou que conseguia ouvir novamente.
Na segunda noite, a multidão cresceu e a noite foi marcada por um forte mover de libertação e cura. Muitas pessoas vieram à frente buscando oração e liberdade. Entre os testemunhos, uma mulher que chegou sem conseguir andar sozinha, levada de moto até o local, testemunhou que foi tocada por Deus e saiu caminhando sem ajuda.
Foi também naquela noite que conhecemos mais de perto a história de uma avó e suas duas netas. Luciana, de aproximadamente 12 anos, era surda do ouvido esquerdo havia cinco anos. Depois de receber oração, sua audição foi restaurada, e a própria avó confirmou com alegria que ela estava ouvindo novamente. No meio de milhares de pessoas, aquela família nos lembrou de algo simples: cada pessoa tem uma história, e cada uma delas importa para Deus.
Na terceira noite, aquela mesma avó voltou com suas netas. Desta vez, Evelyn, que sofria havia anos com a visão embaçada, recebeu oração e testemunhou que passou a enxergar com clareza. Em duas noites consecutivas, aquela avó viu suas duas netas serem curadas. Outros testemunhos também surgiram:
- Edilene, que convivia havia cinco anos com um caroço no seio direito do tamanho aproximado de um limão, testemunhou que ele desapareceu durante a oração
- Um dos momentos mais emocionantes aconteceu quando uma mulher que dependia da filha para caminhar começou a andar sozinha diante da multidão, enquanto sua filha assistia chorando.
Mas, acima de todos esses testemunhos, o maior motivo para celebrarmos aqueles dias era as vidas se rendendo a Jesus. Ao longo das três noites, homens, mulheres, jovens e famílias responderam ao Evangelho. Quando a campanha terminou, mais de 1.300 pessoas haviam tomado uma decisão por Cristo.
Cametá nos lembrou que a missão nunca é feita por uma pessoa só. Ao lado de uma equipe formada por mais de 15 americanos, missionários da Alemanha e pessoas de diferentes estados do Brasil, havia também muitos outros caminhando conosco de longe. Suas orações e sua generosidade ajudaram a colocar equipes nos barcos, levar alimentos às famílias, fortalecer a igreja local e fazer o Evangelho chegar a pessoas que ainda estavam esperando para ouvir.
Por isso, cada vez que lembramos das famílias alcançadas, das comunidades ribeirinhas e das vidas que se renderam a Jesus, lembramos também daqueles que tornaram possível irmos até lá. Obrigado por ir conosco até onde a estrada termina. A missão continua, ainda há muitas pessoas esperando, e queremos continuar avançando juntos até onde for preciso para tornar Jesus conhecido.
Juntos, seguimos levando o Evangelho até os confins da terra.
Com profunda gratidão,
Rubens Cunha e equipe